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Quinta, 28 de Janeiro de 2021

UA desenvolve teste de saliva ultrassensível para a Covid-19

Investigadores do laboratório de Medicina do Genoma do Instituto de Biomedicina (iBiMED) da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveram um kit de saliva e um teste de saliva ultrassensível e altamente reprodutível para a Covid-19.

O trabalho resultou de uma parceria entre a UA, o Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV-Santa Maria da Feira), o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV-Aveiro), o Centro Médico da Praça de São João da Madeira e a empresa nacional de engenharia de plásticos Muroplás, especializada no setor médico-hospitalar e com sede na Trofa.

O novo teste elimina o desconforto e a pesada logística da colheita de amostras com zaragatoa. Utiliza a robusta tecnologia de RT-PCR existente nos laboratórios nacionais, simplifica a automação dos processos laboratoriais, baixa o custo e facilita a testagem comunitária (lares, escolas, empresas, etc.).

A saliva é o principal veículo de transmissão do SARS-COV-2 – usamos máscaras para impedir a transmissão através de gotículas de saliva -, o que torna a sua colheita de fácil execução no domicílio ou no local de trabalho sem recurso a profissionais de saúde. Numa abordagem inicial os resultados dos testes com saliva mostraram que eram menos sensíveis do que os obtidos com colheitas por zaragatoa nasofaríngea, mas após ajustes no protocolo técnico, confirmou-se que a saliva pode igualmente ser usada na deteção de SARS-CoV-2 sem perda de sensibilidade. A autoridade reguladora da saúde dos Estados Unidos da América - Food and Drug Administration (FDA) - aprovou o uso de kits de saliva para a testagem de SARS-CoV-2 e vários laboratórios Europeus já os usam na rotina de testagem.

Para além das vacinas, os rastreios comunitários em larga escala, acompanhados de quarentena seletiva dos casos positivos são a única estratégia de controlo efetivo da Covid-19, sem confinamento da população. Contudo, a complexidade e os elevados custos envolvidos, em particular a necessidade de treinar e mobilizar profissionais de saúde para a testagem com zaragatoas, bem como os gastos associados a material de proteção individual, criam constrangimentos significativos à massificação dos rastreios.

Os investigadores da UA contornaram tais dificuldades substituindo a colheita efetuada com zaragatoa nasofaríngea por uma colheita de saliva. Com a colaboração do CHEDV, CHBV e Centro Médico da Praça, foi validado um novo método de RT-PCR altamente sensível e reprodutível, que permite testar em paralelo um grande número de amostras de saliva a baixo custo.

Em parceria com a empresa Muroplás, de engenharia de plásticos para o setor médico-hospitalar, foi desenvolvido um novo kit para a colheita de saliva, que pode ser enviado pelo correio ou outro meio para os laboratórios. O coordenador do Laboratório de Medicina do Genoma e diretor do iBiMED da UA, Manuel Santos, que coordenou este projeto de investigação colaborativa, considera que este novo teste representa um avanço significativo no controlo da Covid-19 por permitir a realização de testes na comunidade, de modo simples, a baixo custo, e fácil automação do processo laboratorial, possibilitando assim escalar o número de rastreios diários.

Segundo Manuel Santos, o Kit de saliva desenvolvido pela empresa Muroplás também é útil para a recolha de amostras para a vigilância genética das variantes do coronavírus SARS-CoV-2, que o laboratório de Aveiro também avalia através de um projeto de investigação da Covid-19 financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Artur Silva, Vice-reitor da Investigação, Inovação e 3º Ciclo, indica que a situação enorme desafio que o país enfrenta desde março de 2020, responsabiliza todos na procura de novas soluções. Assim, a UA, atenta a estas necessidades, colocou ao serviço da população e da comunidade os recursos habitualmente destinados à investigação, em especial a realizar testes de rastreio do SARS-CoV-2. Contudo, a situação de pandemia, afirma o responsável, levou os investigadores a aplicarem-me fortemente na procura de novos testes de rastreio, de baixo custo, e fácil automação laboratorial, possibilitando assim escalar o número de rastreios diários.

Artur Silva adianta que é agora necessário e urgente a validação do método pelo INSA para se poder colocar ao serviço da população portuguesa.