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Quarta, 04 de Agosto de 2021

Campanha “Olhe pelas Suas Costas” assinala Ano Global Sobre a Dor na Coluna

A dor nas costas é um dos motivos mais comuns para as pessoas consultarem um médico ou perderem dias no trabalho (1), podendo até afetar crianças em idade escolar. Em tempo de pandemia, a campanha “Olhe pelas Suas Costas” assinala o Ano Global Sobre a Dor na Coluna, uma efeméride que pretende sensibilizar os doentes e a sociedade em geral. Estima-se que cerca de 150 mil portugueses sofram deste tipo de dor, sendo as mulheres a partir dos 60 anos as mais atingidas.

“Cerca de 80% da população terá pelo menos um episódio ou crise de dor nas costas ao longo da sua vida e as doenças da coluna vertebral são já a principal causa de incapacidade em todo o Mundo. Infelizmente, o período de confinamento e a adaptação ao teletrabalho não veio melhorar a situação. A ergonomia ficou esquecida e o sedentarismo e o descuido na alimentação propiciaram-se. É fundamental alertar para a prática regular de exercício físico e, nas situações de dor mais prolongada, torna-se imperativo procurar aconselhamento médico”, explica Bruno Santiago, neurocirurgião e coordenador da campanha nacional “Olhe pelas Suas Costas”.

Para sensibilizar a população para as dores relacionadas com a coluna, a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) definiu 2021 como o Ano Global Sobre a Dor nas Costas (“Global Year About Back Pain”).

“Mais do que nunca, as dores nas costas ganham especial relevância, uma vez que fatores como o teletrabalho e a falta de exercício físico representam riscos para a saúde da coluna. Como tal, o tema deste ano centra-se em ajudar profissionais de saúde, cientistas, pessoas que vivem com dor crónica e o público em geral a compreender a natureza da dor na coluna, a utilidade dos tratamentos atualmente disponíveis, bem como formas de a prevenir", explica Ana Pedro, Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), responsável pela iniciativa em Portugal.

Para isto, o IASP definiu cinco grandes pontos prioritários para 2021 (2):

  • Identificar barreiras e propor soluções para melhorar a prevenção, investigação e o tratamento de dores nas costas;
  • Resumir as modalidades mais eficazes e económicas para o sucesso da gestão da dor nas costas, particularmente em comunidades com poucos recursos;
  • Integrar o uso de ferramentas para estratificar indivíduos com dores nas costas, de forma a gerir a prestação de cuidados centrados no doente;
  • Facilitar a pesquisa, gestão, educação e mecanismos de defesa necessários para reduzir o fardo global da dor nas costas.

A coluna vertebral é formada por uma série de vértebras, que se articulam entre si através de articulações e dos discos intervertebrais. As dores nas costas podem afetar qualquer um dos segmentos da coluna, variando em intensidade, frequência ou características(3).

A lombalgia é a mais comum dos três tipos de dores das costas (cervicalgia, dorsalgia e lombalgia) e é caracterizada como uma dor que ocorre na região lombar inferior ou sacroilíaca. Pode ser ainda acompanhada de dor que irradia para uma ou ambas as nádegas, ou ao longo dos membros inferiores, na distribuição do nervo ciático.

No entanto, este é um sintoma e não uma doença, podendo ter múltiplas causas. A mais comum está relacionada com contracturas e lesão dos ligamentos por algum movimento incorreto, como carregar peso em excesso ou de forma errada. Além disto, a lombalgia pode ainda estar relacionada com a existência de um desgaste precoce dos discos ou hérnias discais que, quando sintomáticas, causam dor ao longo do braço ou da perna e, em alguns casos, muita incapacidade.

“Apesar de raras, as causas da dor podem ainda ser a presença de fraturas, tumores ou até mesmo uma infeção na coluna. É muito importante procurar uma avaliação médica em situações de dor persistente e incapacitante ou quando se manifestam outros sintomas como perda de peso, falta de força (paralisia), febre”, acrescenta Bruno Santiago.

Os casos de lombalgia aguda são, normalmente, quadros benignos e autolimitados, ou seja, a dor cede em poucas semanas, sendo apenas necessária medicação analgésica e, por vezes, fisioterapia. Quando a dor lombar persiste acima dos 3 meses é definida como lombalgia crónica, sendo o seu tratamento mais desafiante. Nestes casos, é essencial procurar um diagnóstico o mais preciso possível, realizado através de uma equipa multidisciplinar, para garantir os tratamentos e a educação para a saúde mais adequados.