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Quarta, 23 de Setembro de 2020

Células estaminais do tecido do cordão umbilical com potencial na regeneração cardíaca

  • Dia Mundial do Coração assinala-se a 29 de setembro
  • As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morte em Portugal

Foram recentemente publicados os resultados de um ensaio clínico que testou a segurança e a eficácia das células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical na regeneração cardíaca em doentes com Cardiopatia Isquémica Crónica (CIC).

O estudo envolveu 54 doentes com CIC, elegíveis para cirurgia de bypass coronário. Os 16 participantes do grupo controlo foram tratados recorrendo exclusivamente à cirurgia de bypass coronário convencional, enquanto que 26 participantes foram ainda tratados com células estaminais do cordão umbilical e 12 com células da medula óssea. A administração das células ocorreu durante a cirurgia de bypass coronário, tendo sido feita a sua injeção direta no músculo cardíaco.

Os autores estudaram a diferença na capacidade de bombeamento de sangue pelo coração antes do tratamento e um ano depois, utilizando três técnicas diferentes. Observou-se que os doentes tratados com células do cordão umbilical demonstraram um aumento significativo na capacidade de bombeamento do coração em duas das três técnicas utilizadas, tendo uma das técnicas evidenciado melhorias significativas também no grupo que recebeu células da medula óssea. Nos doentes do grupo controlo não se observaram diferenças significativas.

Na análise das alterações na mobilidade da parede do coração, grau de fibrose e massa muscular cardíaca, foi possível aferir que, embora as diferenças não tenham sido estatisticamente significativas, os doentes que receberam células estaminais do cordão umbilical demonstraram melhorias mais acentuadas relativamente aos restantes, o que sugere um efeito reparador superior deste tipo de tratamento. O estudo da área do coração afetada por necrose (morte celular), antes do tratamento e um ano após o mesmo revelou que, embora se tenha observado uma diminuição significativa da área necrótica em todos os grupos, os doentes que receberam células do cordão umbilical exibiram melhorias mais acentuadas.

Segundo Bruna Moreira, Investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, “no âmbito do Dia Mundial do Coração, é importante reforçar o papel da prevenção das doenças cardiovasculares, através da adoção de um estilo de vida saudável e alimentação cuidada, e sublinhar que a pesquisa por opções terapêuticas eficazes para o seu tratamento continua muito ativa”. A investigadora acrescenta ainda que “o recurso a terapias celulares tem sido alvo de intensa investigação científica e as células estaminais do tecido do cordão umbilical demonstraram já resultados promissores em contexto de doença cardíaca”.

Um enfarte do miocárdio, vulgarmente conhecido como ataque cardíaco, pode conduzir ao desenvolvimento de uma doença designada por Cardiopatia Isquémica Crónica (CIC), devido à morte de células do músculo cardíaco e sua substituição por tecido fibroso não contráctil, semelhante ao de uma cicatriz. Estas alterações podem levar à perda de capacidade de bombeamento de sangue pelo coração e ao aparecimento de sintomas como dificuldade em respirar, dor no peito e fadiga extrema. Tendo em conta o bom perfil de segurança registado, as células estaminais do cordão umbilical podem revelar-se fortes candidatas para o desenvolvimento de tratamentos inovadores na área da regeneração cardíaca, sendo, no entanto, indispensável a realização de mais estudos nesse sentido.

Referência:

Ulus AT, et al. Intramyocardial Transplantation of Umbilical Cord Mesenchymal Stromal Cells in Chronic Ischemic Cardiomyopathy: A Controlled, Randomized Clinical Trial (HUC-HEART Trial). Int J Stem Cells. 2020. doi:10.15283/ijsc20075 [online ahead of print]