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Quinta, 08 de Julho de 2021

Tecido do cordão umbilical promissor no tratamento da diabetes mellitus tipo 2

A revista científica Cell and Tissue Research publicou recentemente o artigo “Human umbilical cord mesenchymal stem cells in type 2 diabetes mellitus: the emerging therapeutic approach”, onde foram apresentados os principais benefícios terapêuticos das células mesenquimais do tecido do cordão umbilical no tratamento e controlo da diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) e comorbidades associadas. Publicado no final de maio, o artigo contou com a participação de Andreia Gomes, Diretora Técnica e de Investigação e Desenvolvimento (I&D) do laboratório português de criopreservação BebéVida.

Centrado nos últimos ensaios e aplicações das células estaminais mesenquimais (CEM) humanas do cordão umbilical no tratamento e controlo da diabetes tipo 2, o artigo explica que o tecido do cordão umbilical tem provado ser uma fonte fiável, útil e de fácil acesso de CEM devido às suas propriedades originais, imunomodulatórias, não imunogénicas, secretórias, migratórias, proliferativas e multipotentes – características que tem atraído um grande interesse por parte da investigação nas áreas de medicina regenerativa e terapia celular.

Tanto o transplante alogénico e autólogo de CEM de cordão umbilical humano, como os fatores libertados pelas CEM, demonstraram, em vários ensaios, combater os efeitos prejudiciais da hiperglicemia e progressão da DMT2 através da atenuação da inflamação crónica e disfunção das células β pancreáticas. Para além disso, as CEM também apresentam capacidade de modular de forma benéfica as comorbidades associadas à DMT2 apresentando efeitos nefro-, neuro e retino-protetores, melhorando significativamente a recuperação funcional do tecido muscular cardíaco isquémico e também através de efeitos significativos na melhoria da função imunológica geral. Além disso, as CEM do cordão umbilical revelaram-se promissoras na aceleração da cicatrização de feridas diabéticas pelo incremento do processo angiogénico, favorecendo a reparação de tecido e neovascularização.

Embora sejam necessários mais estudos de maior escala e com aplicabilidade humana, as evidências e resultados obtidos até hoje, tendo por base modelos experimentais, observações pré-clínicas e ensaios clínicos, são bastante promissores e robustos. “A terapia com recurso a CEM ainda tem um longo caminho pela frente. Espera-se que, num futuro próximo, a definição clara de procedimentos padrão à escala de negócio para isolamento e cultura de células estaminais derivadas do cordão umbilical e um consenso científico global de procedimentos operacionais aprovados se concretize na prática clínica quotidiana”, refere a Diretora Técnica e de I&D da BebéVida.

De acordo com Andreia Gomes “a DMT2 é uma das diversas patologias nas quais as potencialidades terapêuticas do cordão umbilical têm vindo a ser investigadas, apontando para a eficácia do tratamento”. A especialista lembra que “os benefícios das células estaminais são cada vez mais estudados e demonstrados em áreas como a hematologia, imunologia, cicatrização de feridas, regeneração de tecidos e oncologia”.

Sobre o potencial das células estaminais para tratar a DMT2, a Diretora Técnica e de I&D do laboratório de criopreservação explica que “não só permite explorar mecanismos biológicos que estão em harmonia com a forma como o nosso corpo se regula e se regenera, como representa um salto quântico na área da saúde”, acrescentando que “o plasma de cordão e o secretoma das CEM podem ser considerados um produto biotecnológico à base de proteínas e rico em fatores com maior segurança comparativamente à inoculação de células vivas de origem humana, não apresentando praticamente riscos. As formulações derivadas do sangue do cordão umbilical e do secretoma de CEM podem ser produzidas, manuseadas, armazenadas e distribuídas à semelhança de muitos outros medicamentos ou princípios ativos”.

As comorbilidades e a taxa de mortalidade fazem da DMT2 uma doença grave, frequente, dispendiosa, representando um grande fardo para a sustentabilidade do sistema de saúde e, simultaneamente, um importante desafio de saúde pública para as sociedades modernas. Os tratamentos disponíveis ainda dependem muito de combinações de agentes antidiabéticos orais com ajustes no estilo de vida e nutrição. Apesar do contínuo desenvolvimento de novos e melhores fármacos hipoglicémicos, a sua eficácia é limitada no que toca ao aparecimento e progressão de complicações silenciosas da doença.

Apontada como a epidemia do século, a diabetes mellitus (DM) é uma doença metabólica crónica caracterizada pelo açúcar alto no sangue (hiperglicemia), que vai provocar lesões nos vasos sanguíneos e, desta maneira, atingir todos os órgãos do corpo humano. Em Portugal são registadas anualmente entre 60 mil e 70 mil novos casos de diabetes, a maioria do tipo 2. O país apresenta uma prevalência desta doença acima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (que congrega 36 países) e para esta realidade contribuem fatores como o sedentarismo, alguns hábitos alimentares e a obesidade e excesso de peso da população.