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Terça, 29 de Setembro de 2020

Lynparza® (olaparib) associou-se a um aumento do tempo médio sem progressão de doença em mais de quatro anos e meio quando comparado com pouco mais de um ano com placebo, em doentes com cancro do ovário avançado e mutação BRCA1

A análise a 5 anos do estudo de fase III SOLO-1 configura o follow-up mais longo para qualquer inibidor da PARP no tratamento de manutenção em primeira linha1

Lynparza® (Olaparib), da AstraZeneca e da MSD, demonstrou um benefício de sobrevivência livre de progressão (SLP) de longo prazo vs. placebo, enquanto tratamento de manutenção de 1.ª linha em doentes com cancro do ovário avançado recém-diagnosticado com mutação BRCA (mBRCA), germinativa e/ou somática, que apresentavam uma resposta completa ou parcial após quimioterapia à base de platina.1

O cancro do ovário é a oitava causa mais comum de morte por cancro nas mulheres em todo o mundo e, em 2018, havia quase 300.000 novas doentes diagnosticadas e cerca de 185.000 mortes em todo o mundo.3 Aproximadamente 22% das doentes com cancro do ovário têm uma mutação BRCA1/2.4

No ensaio de fase III SOLO-1, ao fim de 5 anos de seguimento dos doentes em estudo, olaparib associou-se a uma redução do risco de progressão de doença ou morte de 67% (com base num hazard ratio [HR] de 0,33; intervalo de confiança de 95% [IC] 0,25-0,43) e melhorou a SLP mediana em 56 meses vs.13,8 meses com placebo. Neste período,

48,3% das doentes tratadas com olaparib permaneceram livres de progressão da doença contra 20,5% com placebo. A duração media do tratamento com olaparib foi de 24,6 meses vs. 13,9 meses com placebo.1

Susana Banerjee, uma das investigadoras do ensaio SOLO-1 e Oncologista Médica Consultora da The Royal Marsden NHS Foundation Trust and Reader, do The Institute of Cancer Research de Londres, referiu: “Para doentes com cancro do ovário avançado recém-diagnosticado com mutação de BRCA, o benefício associado a dois anos de tratamento de manutenção com olaparib manteve-se por muito tempo após o término do tratamento. Após cinco anos, quase metade das mulheres estava livre da progressão do cancro. Esses resultados representam um avanço significativo no tratamento do cancro do ovário avançado com mutação de BRCA.”

José Baselga, Executive Vice President Oncology R&D, referiu: “Quando o cancro do ovário de uma doente recidiva, historicamente torna-se incurável. Mesmo num estádio avançado, mostramos que o tratamento de manutenção com olaparib pode ajudar as doentes a alcançar uma remissão sustentada. Os resultados de hoje enfatizam ainda mais a importância de determinar o status do biomarcador de uma doente no momento do diagnóstico da doença para oferecer um tratamento que possa ajudar a retardar a progressão da doença.”

Roy Baynes, Senior Vice President and Head of Global Clinical Development, Chief Medical Officer, MSD Research Laboratories, referiu: "Este é o primeiro ensaio de um inibidor de PARP com dados após um seguimento de cinco anos, tendo demonstrado que olaparib melhorou a sobrevivência livre de progressão para quatro anos e meio vs. 13,8 meses com placebo, após resposta à quimioterapia à base de platina de 1.ª linha. Estes dados mais recentes representam um marco importante e significativo numa doença que, historicamente, se caracteriza por um mau prognóstico.”

Resumo dos resultados1,2

Sobrevivência livre de progressão

Sobrevivência livre de recidiva*

Olaparib

N=260

Placebo

N=131

Olaparib

N=189

Placebo

N=101

Eventos, n (%)

118 (45)

100 (76)

79 (42)

74 (73)

Mediana, m

56.0

13.8

NA

15.3

HR (IC 95%)

0.33 (0.25–0.43)

0.37 (0.27–0.52)

Doentes livres de progressão ou recidiva ao longo do tempo, % (estimativas de Kaplan-Meier)

1 ano

87.7

51.4

91.0

58.0

2 anos

73.6

34.6

77.2

39.0

3 anos

60.1

26.9

64.0

28.9

4 anos

52.3

21.5

55.2

23.0

5 anos

48.3

20.5

51.9

21.8

*Definido post hoc como o tempo desde a aleatorização até à recidiva da doença * ou morte

para doentes em resposta completa† à quimioterapia à base de platina no início do estudo; os doentes apresentavam RC no início do estudo com base nos dados do formulário eletrónico de relatório de caso. IC, intervalo de confiança; HR, hazard ratio; NA, não alcançado; RC, resposta completa

O perfil de segurança de olaparib foi consistente com observações anteriores e apenas 12% dos doentes em olaparib descontinuaram o tratamento devido a um EA.1

Os resultados foram apresentados na sexta-feira, 18 de setembro, durante o congresso virtual da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) 2020.

O estudo SOLO-1 de fase III atingiu o seu endpoint primário de SLP em junho de 2018, que serviu de base das aprovações nos EUA, UE, Japão, China e vários outros países.

Sobre o cancro do ovário

Para as doentes recém-diagnosticadas com cancro do ovário avançado, o objetivo principal do tratamento de primeira linha é atrasar a progressão da doença durante o maior tempo possível e manter a qualidade de vida da doente, com a intenção de alcançar a remissão completa. 5-8

Sobre SOLO-1

O estudo SOLO-1 foi um ensaio clínico multicêntrico de fase III, aleatorizado, duplamente-cego, controlado por placebo para avaliar a eficácia e segurança dos comprimidos de olaparib (300 mg duas vezes ao dia) em monoterapia de manutenção em comparação com placebo em doentes com cancro do ovário avançado recém-diagnosticado BRCAm, após quimioterapia de primeira linha à base de platina. O ensaio aleatorizou 391 doentes com mutação germinativa patogénica ou potencialmente patogénica ou mutação somática BRCA1 ou BRCA2, que apresentavam resposta clínica completa ou parcial após quimioterapia à base de platina.5

As doentes foram aleatorizadas (2:1) para receber olaparib ou placebo por até dois anos ou até à progressão da doença. As doentes com resposta parcial aos dois anos foram autorizadas a permanecer na terapêutica, por decisão do investigador. O endpoint primário foi a SLP e os principais endpoints secundários incluíram tempo até segunda progressão da doença ou morte, tempo até ao primeiro tratamento subsequente e sobrevivência global.5

Sobre Lynparza®

Lynparza® (olaparib) é o inibidor da PARP pioneiro e o primeiro tratamento dirigido para bloquear a resposta de reparação dos danos no ADN (DDR) em células/tumores que possuem uma deficiência de reparação por recombinação homóloga (HRR), como as mutações nos genes BRCA1 e/ou BRCA2. A inibição da PARP por olaparib leva ao aprisionamento da PARP ligada a quebras de cadeia simples de ADN, à paralisação de bifurcações de replicação, ao seu colapso e geração de quebras de cadeia dupla do ADN e à morte de células tumorais. Olaparib está a ser testado numa variedade de tumores dependentes de PARP com defeitos e dependentes da via DDR.

Lynparza® (olaparib) está atualmente aprovado em vários países, incluindo Portugal, para o tratamento de manutenção do cancro do ovário após a 1ª linha de quimioterapia à base de platina em doentes com mutações BRCA1/2 (germinativas ou somáticas) e também em doentes em recidiva sensível à platina. Encontra-se também aprovado para o tratamento de doentes com cancro da mama metastático ou localmente avançado com mutações BRCA1/2 germinativas e para o tratamento de doentes com adenocarcinoma metastático do pâncreas e com mutações BRCA1/2 germinativas.9

Revisões regulamentares estão em curso, em vários países, para o cancro do ovário, mama, pâncreas e próstata.

Lynparza® (olaparib), que está a ser desenvolvido e comercializado em conjunto pela AstraZeneca e MSD, foi utilizado para tratar mais de 30.000 doentes em todo o mundo. Lynparza® (olaparib) tem o programa de desenvolvimento de ensaios clínicos mais amplo e avançado de qualquer inibidor de PARP, e a AstraZeneca e a MSD estão a trabalhar conjuntamente para entender como poderá atuar em vários tumores dependentes da PARP, como monoterapia ou em combinação.

A colaboração estratégica em oncologia da AstraZeneca e MSD

Em julho de 2017, a AstraZeneca e Merck & Co., Inc., Kenilworth, NJ, EUA, conhecida como MSD fora dos EUA e Canadá, anunciaram uma colaboração estratégica global na área da oncologia para desenvolver e co-comercializar Lynparza® (olaparib), o primeiro inibidor de PARP do mundo e Koselugo® (selumetinib), um inibidor de MEK, para vários tipos de cancro. Trabalhando juntas, as empresas desenvolverão Lynparza® (olaparib) e o Koselugo® (selumetinib) em combinação com outros novos potenciais medicamentos e enquanto monoterapias. De forma independente, as empresas desenvolverão Lynparza® (olaparib) e Koselugo® (selumetinib) em combinação com os seus respetivos medicamentos PD-L1 e PD-1.

Glossário

BRCA: BReast Cancer Gene

DDR: DNA Damage Repair

EA: Efeito Adverso

PARP: Poli(ADP-ribose) polimerase

PD-1: Programmed Cell Death Protein 1

PD-L1: Programmed Death-Ligand 1

Referências

1.Susana Banerjee et al. Maintenance olaparib for patients with newly diagnosed advanced ovarian cancer and a BRCA mutation: 5-year follow-up from SOLO1. Apresentado na ESMO Virtual 2020, 18 setembro 2020. Mini-oral #811MO

  1. Susana Banerjee et al. Maintenance olaparib for patients with newly diagnosed advanced ovarian cancer and a BRCA mutation: 5-year follow-up from SOLO1. Mini-oral #811MO [abstract]

3.The World Health Organization. IARC. Globocan 2018. Available at: http://gco.iarc.fr/ [Consultado em setembro de 2020].

4.da Cunha Colombo Bonadio et al. (2018). Homologous recombination deficiency in ovarian cancer: a review of its epidemiology and management. Clinics (Sao Paulo). 2018;73(suppl 1):e450s.

5.Moore, K. (2018). Maintenance Olaparib in Patients with Newly Diagnosed Advanced Ovarian Cancer. New England Journal of Medicine. 379(26), pp.2495-2505.

6.Raja et al. 2012. Optimal first-line treatment in ovarian cancer. Annals of Oncology. 23 Suppl 10, x118-127.

7.NHS Choices, Ovarian Cancer Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/ovarian-cancer/treatment/ [Consultado em setembto de 2020].

8.Ledermann et al. (2013). Newly diagnosed and relapsed epithelial ovarian carcinoma: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Annals of Oncology. 24, pp.vi24-vi32.

  1. RCM de LYNPARZA; consultado em www.infarmed.pt a 22/09/2020.

AZ: PT-7636 aprovado a 28/09/20 | MSD: PT-LYN-00114 09/2020