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Quarta, 04 de Novembro de 2020

GSK apresenta dados clínicos positivos de vacinas candidatas contra o VSR para mães e adultos em idade mais avançada

  • Dados dos ensaios clínicos de Fase I/II foram apresentados no Congresso ID Week, nos EUA, e demonstram que as duas vacinas candidatas, atualmente em processo de avaliação acelerada por parte da FDA, despoletam uma forte resposta imunológica e são bem toleradas. Estudos de Fase III devem começar nos próximos meses.

A GSK anunciou que as suas vacinas candidatas para imunização de mães (GSK3888550A) e adultos mais velhos (GSK3844766A) contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) foram bem-toleradas e altamente imunogénicas nos ensaios clínicos de fase I/II. Estes dados foram apresentados no Congresso ID Week, nos EUA.

O VSR é a principal causa de infeções respiratórias, como a bronquiolite (inflamação e congestão das pequenas vias dos bronquíolos) e pneumonia (condição inflamatória do pulmão, ao nível dos alvéolos pulmonares) em crianças ou adultos em idade avançada. Estima-se que, globalmente, seja a causa de três milhões de hospitalizações abaixo dos cinco anos de idade[1] e de 177 mil hospitalizações em idosos, apenas nos EUA.[2]

Ambas as vacinas candidatas contêm um antigénio da sub-unidade recombinante de pré-fusão do VSR (RSVPreF3), o elemento que se acredita despoletar a resposta imunológica. A vacina para adultos mais velhos inclui também o sistema adjuvante AS01, propriedade da GSK[3], de modo a incrementar esse nível de resposta imunológica, uma vez que esta população tem tendência a apresentar uma resposta mais fraca à vacinação comparativamente aos jovens adultos.

A vacina candidata para adultos mais velhos foi testada inicialmente em 48 adultos saudáveis (18-40 anos de idade) e, posteriormente, em 1005 adultos saudáveis em idade mais avançada (60-80 anos de idade), em diferentes dosagens de antigénio e adjuvante e em comparação com placebo. Os dados preliminares, decorrido um mês do momento de imunização, demonstram:

  • A vacina candidata gerou imunidade celular e humoral robusta, comparado com o baseline;
  • Houve um aumento induzido de cerca de dez vezes na produção de anticorpos protetores (anticorpos neutralizantes IgG RSVPreF3 e VSR-A) no grupo vacinado;
  • A imunidade celular (linfócitos T CD4+ específicos para RSVPreF3) dos indivíduos vacinados foi potenciada ao ponto de alcançar os níveis observados no grupo de adultos jovens que foram vacinados com a formulação não-adjuvantada, apesar do valor basal iniciado que se observou no grupo de adultos mais velhos em comparação com o grupo mais jovem.

A vacina candidata contra o VSR para mães foi testada com três dosagens diferentes e em comparação com placebo, numa população de 502 mulheres não-grávidas saudáveis no decurso de visitas mensais (dia 8, dia 31 e dia 91 após imunização). Os dados mostram que, em comparação com os valores basais:

  • A vacina sob investigação permitiu potenciar rapidamente a imunidade pré-existente em todas as dosagens, levando à geração de níveis elevados de anticorpos protetores neutralizantes.
  • Ao dia 8, verificou-se um aumento de 14 vezes nos níveis de anticorpos VSR-A e VSR-B observados.

As duas vacinas fazem parte de uma abordagem segmentada de portfólio que a GSK procura concretizar por via de três vacinas contra o VSR – materna, pediátrica e para adultos em idade avançada – com recurso a diferentes tecnologias e de modo a contribuir para a proteção das populações mais afetadas por este vírus: crianças e idosos. Todas as três vacinas candidatas foram submetidas a processo de avaliação acelerada por parte da FDA.

“O VSR é uma doença infecciosa que pode consequências graves para as famílias e a sociedade em geral. Estamos muito entusiasmados com estes resultados positivos, que suportam a nossa abordagem ao desenvolvimento de vacinas específicas com recurso à tecnologia GSK, dirigidas a pessoas que apresentam maio risco de ser infetadas pelo VSR: crianças e adultos em idade avançada. A estratégia do nosso portfólio tem em consideração as necessidades imunitárias específicas de cada uma destas populações mais vulneráveis e, por isso, estamos a aguardar com expetativa o progresso destas vacinas candidatas para os ensaios de Fase III, de modo a avaliarmos a sua potencial eficácia”, disse Emmanuel Hanon, Senior Vice-Presidente e Head of Vaccines R&D da GSK.

A existência de vacinas para prevenção do VSR pode significar uma redução significativa da incidência desta doença, do número de consultas médicas e do volume de hospitalizações de crianças e adultos em idade avançada, constituindo um potencial benefício significativo para a saúde individual de todos os que integram estas populações mais vulneráveis, bem como um impacto positivo ao nível da carga de doença e despesa que estas infeções representam para os sistemas de saúde em todo o mundo.

Com base nos dados já disponíveis e na interação que tem sido levada a cabo com as autoridades reguladoras, os ensaios clínicos de Fase III das vacinas candidatas, quer para mães, quer para adultos mais velhos, estão em preparação e prontos a começar nos próximos meses, enquanto que o ensaios clínicos de Fase I/II (em crianças VSR-seronegativas) e Fase II (em crianças VSR-positivas), com a vacina pediátrica, estão atualmente em curso. Os dados segurança e imunogenicidade evidenciados pelo ensaio de Fase I/II da vacina pediátrica candidata, quando administrada em crianças VSR-seropositivas, foram apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Doenças Infecciosas Pediátricas (ESPID), que decorreu nos dias 26-29 de outubro.

Sobre a vacina candidata contra o VSR para adultos de idade avançada (GSK3844766A)

O estudo de Fase I/II procurou investigar a segurança, reactogenicidade e resposta imunológica à vacina candidata da GSK contra o VSR em adultos com idade avançada (NCT03814590). Esta vacina candidata contém o adjuvante AS01, propriedade da GSK, que é também utilizado na vacina da GSK contra a zona. A segurança, reactogenicidade e resposta imunológica (humoral e por mediação celular) foram inicialmente avaliadas num grupo de 48 adultos saudáveis, com idades entre os 18 e os 40 anos e vacinados com dosagens de 30, 60 ou 120 μg de vacina não-adjuvantada com RSVPreF3 ou com placebo. Uma vez registados resultados positivos, 1005 adultos com idades entre os 60-80 anos foram depois aleatorizados, através de um processo de duas etapas, de modo a receberem 1 das 9 formulações de vacina VSR que continha dosagem de 30, 60 ou 120 μg de RSVPreF3, não-adjuvantada ou adjuvantada com AS01E ou AS01B, ou placebo.

Dados preliminares apresentados na ID Week demonstram que um mês após a imunização, a vacina candidata adjuvantada foi bem tolerada e não suscitou qualquer preocupação do ponto de vista da segurança. Os efeitos adversos mais frequentemente reportados foram dor no local da injeção, fadiga e dor de cabeça.

Dados de imunização a um mês mostram que a vacina candidata gerou níveis de imunidade celular e humoral robustos, comparados com os valores basais: níveis elevados de anticorpos IgG RSVPreF3 (média de concentração de anticorpos foi 8.4-13.5 para os vacinados entre os 18-40 anos e 7.2-12.8 vezes mais elevada na população entre 60 e 80 anos) e VSR-A neutralizantes (valor médio foi 7.5-13.7, no grupo com 18-40 anos, e 5.6-9.9 vezes mais elevada no grupo com 60-80 anos.) foram induzidos em todos os grupos vacinados. Previamente à vacinação, foi observada deficiência de linfócitos T específicos para RSVPreF3 (nos quais recaia a hipótese de serem responsáveis por ajudar à remoção do vírus) nos adultos em idade avançada, comparativamente aos adultos mais jovens. Após a vacinação, foi potenciada uma resposta robusta de linfócitos-T CD4+ RSVPreF3 nos adultos mais velhos e que permitiu alcançar um nível semelhante ao que se verificou nos adultos jovens que receberam a vacina adjuvantada.

Sobre a vacina candidata contra o VSR para mães (GSK3888550A)

O objetivo desta vacina candidata é prevenir infeções do trato respiratório inferior provocadas por VSR em crianças, durante os seus primeiros meses de vida, devido à transferência de anticorpos da mãe para o bebé – uma abordagem baseada na robusta experiência da GSK em imunização materna, adquirida no âmbito dos programas de vacinação para a gripe e para a tosse convulsa. A natureza policlonal da resposta humoral que é incrementada por esta vacina permite conferir uma proteção mais ampla que abrange um maior número de estirpes de VSR, ao mesmo tempo que dá resposta ao possível risco de mutação por parte do vírus. A imunização materna pode ajudar a conferir proteção a crianças demasiado jovens para serem imunizadas contra infeções por VSR durante os seus primeiros meses de vida – quando se encontram mais vulneráveis – sem que seja necessária qualquer intervenção médica, graças à transmissão passiva de anticorpos neutralizantes da mãe vacinada para o seu recém-nascido durante as últimas semanas de gravidez.

Na fase I/II do estudo (NCT03674177), 502 mulheres saudáveis não grávidas receberam 1 dose ou de 30, 60 ou 120 μg de RSVPreF3 recombinante à base de proteína ou de placebo. A segurança, reactogenicidade e imunogenicidade foi monitorizada por 6 meses. Os dados pós-imunização a 1 mês mostram que todas as dosagens da vacina foram bem toleradas, sem registo de qualquer preocupação em matéria de segurança: os efeitos adversos mais frequentemente reportados foram ligeiros e incluíram dor no local de injeção e dor de cabeça.

Os dados mostram que a vacina candidata gerou uma rápida e persistente resposta imunitária em todos os grupos que receberam RSVPreF3. A resposta imunitária teve o seu pico ao dia 8 pós-imunização, com um aumento de 14 vezes do número de anticorpos RSV-A e RSV-B face aos valores basais. A concentração foi diminuindo ao longo do tempo, mas foi possível manter uma concentração

Dados de segurança e imunogenicidade do primeiro estudo que envolveu mulheres grávidas serão apresentados na primeira metade de 2021. A evidência disponível de momento aporta confiança suficiente para que se possa progredir para a fase final da investigação clínica.

Sobre o vírus sincicial respiratório (VSR)

Globalmente, estima-se que surjam 33 milhões de casos, anualmente, de infeção por VSR em crianças com menos de cinco anos de idade, com cerca de três milhões de hospitalizações e, aproximadamente, 120 mil mortes por ano decorrentes de complicações associadas à infeção. Quase metade das hospitalizações pediátricas e mortes ocorre em crianças com menos de seis meses.[4] De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, virtualmente todas as crianças nos EUA sofrem de uma infeção por VSR até perfazerem dois anos de idade, sendo que uma a duas crianças, entre cada 100 crianças abaixo dos seis meses de idade infetadas por VSR, podem precisar de hospitalização.[5] Este vírus representa também uma ameaça de saúde para os adultos em idade avançada, estimando-se que só nos EUA ocorram anualmente 177 mil hospitalizações e 14 mil mortes associadas a infeções por VSR.[6] Sem sistemas de vigilância robustos em diversos países, os dados globais da carga de doença associada ao VSR em indivíduos mais velhos está em falta e/ou subestimada. À medida que a população envelhece de forma geral, a morbilidade e mortalidade associadas a infeções respiratórias tais como o VSR têm tendência a aumentar.

Sobre a GSK

A GSK é uma multinacional farmacêutica, impulsionada pela ciência e inovação, com um propósito especial: ajudar as pessoas a fazerem mais, sentirem-se melhor e viverem mais tempo. Com uma história que começou há 300 anos atrás, a GSK emprega mais de 100 pessoas em Portugal na área farmacêutica. A sua ambição é ser uma das empresas farmacêuticas mais inovadoras, com melhor performance e de maior confiança do mundo. Para saber mais: www.gsk.pt

[1] Shi T. et al, Lancet. 2017;390:946–58

[2] https://www.cdc.gov/features/VSR/index.html

[3] Contém QS-21 StimulonTM, adjuvante licenciado pela Agenus Inc. (NASDAQ: AGEN)

[4] Shi T. et al, Lancet. 2017;390:946–58

[5] CDC - https://www.cdc.gov/rsv/high-risk/infants-young-children.html

[6] CDC - https://www.cdc.gov/features/rsv/