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Sexta, 04 de Dezembro de 2020

Especialistas defendem que adoçantes continuam a ser a alternativa mais saudável ao açúcar

Está cientificamente comprovado que o Homem nasce com preferência pelo sabor doce, fazendo do açúcar um ator importante na sua dieta. Porém, estima-se que esta substância represente, em média, entre 13 a 25% da ingestão diária de um adulto, quando o recomendado pela Organização Mundial da Saúde se situa entre os 5 e os 10%.

“É necessário reduzir o consumo de açúcares, tanto dos refinados como dos naturais”, confirma Adriana Gámbaro, Professora e Diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia Alimentar da Faculdade de Química da Universidade da República, no Uruguai, no webinar “Salud, Sabor Dulce y Placer: Es factible?”, organizado pela Sociedade Argentina de Nutrição e pela ISA - Associação Internacional de Adoçantes, que decorreu no passado dia 2 de dezembro.

E embora a indústria alimentar tenha vindo a diminuir a quantidade de açúcar presente nos alimentos, Monica Katz, presidente da Sociedade Argentina de Nutrição, considera que esta substância continua a ser utilizada de forma bastante inadequada. Por isso, é aqui que entram as alternativas ao açúcar, nomeadamente os adoçantes.

“Existem muitas estruturas químicas que se parecem com o açúcar, como é o caso da sacarose, aspartame ou sacarina, entre outros”, refere Gámbaro. Por isso, apesar de a perceção do sabor doce ser influenciado por fatores fisiológicos, patológicos ou hábitos adquiridos, “a indústria dos adoçantes tem o potencial de facilitar um regime alimentar mais saudável, sem que a população tenha de tomar grandes decisões para alterar as suas escolhas alimentares”.

Já no que respeita ao papel dos adoçantes sem calorias no controlo de peso, Brian Cavagnari, Médico Pediatra, Especialista em Nutrição e Investigador, refere que “a substituição de edulcorantes calóricos por não calóricos poderá ser benéfica para diminuir a ingestão de calorias, em geral, e a de açúcares, em particular”. Tal acontece porque o açúcar e os adoçantes, quando comparados, permitem concluir que esta última opção é a mais indicada para a perda de peso, principalmente se a pessoa em questão tiver excesso de peso ou obesidade.

“Apesar de certos estudos observacionais associarem a utilização de edulcorantes sem calorias ao aumento de peso, tal não significa que estas substâncias sejam as responsáveis. Tal apenas confirma que os edulcorantes sem calorias têm uma maior probabilidade de serem consumidos por pessoas com excesso de peso. Logo, estes estudos não são capazes de demonstrar uma relação causal”, explica Cavagnari. Por outro lado, “os ensaios clínicos controlados, aqueles que podem mostrar causalidade, concluem que a substituição de açúcares por edulcorantes sem calorias ajuda a diminuir a ingestão de energia e, consequentemente, o peso corporal dos adultos”.

A segurança dos adoçantes de baixas calorias aprovados tem sido repetidamente avaliada e confirmada pelos órgãos reguladores e científicos de avaliação de risco em todo o mundo, como o Comité Misto FAO/OMS de peritos no domínio dos aditivos alimentares (JECFA), a agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) e Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

Quando utilizados em alimentos, bebidas e adoçantes de mesa, os adoçantes de baixas calorias podem oferecer às pessoas uma ampla variedade de opções de sabor doce com baixas ou nenhuma caloria. Assim, podem ser uma ferramenta útil, quando usados no lugar do açúcar e como parte de um regime alimentar equilibrado, ao ajudar a reduzir a ingestão geral de açúcar e o consumo de calorias, bem como na manutenção dos níveis de glicose no sangue. Os adoçantes de baixas calorias também são não-cariogénicos, o que quer dizer que não contribuem para a cárie dentária.