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Fitness: Há mais de 25 mil instrutores de aulas de grupo em Portugal, sem trabalhar e a pedir ajuda

Centenas de instrutores inscritos num fundo criado para apoiar as situações mais precárias

O Dia Internacional da Atividade Física (6 de Abril) e o Dia Mundial da Saúde (7 de Abril) até no calendário estão lado a lado. No entanto, numa crise de saúde como a que atravessamos, o primeiro parece estar a ser esquecido. Aulas de Grupo são um dos principais fatores de motivação para o exercício físico e retenção em ginásios. Numa altura em que fatores como a obesidade ou a idade representam risco acrescido na propagação da covid-19, são precisamente esses os grupos que estamos a deixar de fora: pessoas com excesso de peso desmotivadas para treinar em casa e pessoas com mais idade que não estão familiarizadas ou confortáveis com treino online. – Declara a campanha “De Mãos e Pés Atados” (https://www.gofundme.com/f/de-maos-e-pes-atados/)

Vídeo testimonial: https://www.youtube.com/watch?v=qgpmPs_iOms

Link oficial da campanha: https://www.gofundme.com/f/de-maos-e-pes-atados

Para download de imagens: https://we.tl/t-HGOVGujxDz

A reabertura dos ginásios ao dia de hoje acontece sem o regresso das aulas de grupo, atividade que emprega mais de 25 mil instrutores em Portugal, que terão de continuar a esperar – após mais de um ano nesta situação – pelo menos até 3 de maio. Este grupo de profissionais encontra-se numa situação limite, sem rendimento algum na maioria dos casos, e sem previsão de poderem retomar a sua vida.

“Pensar que um mês não faz diferença é não conhecer esta realidade. A realização de aulas de grupo não apresenta qualquer risco acrescido de propagação do vírus, comparativamente com a sala de exercícios de um ginásio. Nas mesmas condições de distanciamento, é até mais fácil, em muitas situações, o professor das aulas de grupo poder assegurar eficaz e rigorosamente que cada aluno permanece (literalmente) no seu quadrado, do que muitas vezes na área das máquinas de um ginásio. Os dois espaços são extremamente importantes e complementares. No entanto, um deles é alvo de discriminação. Não faz sentido e desmotiva, ainda mais, uma classe de profissionais completamente esgotada”, começa por explicar André Manz, impulsionador de uma campanha de sensibilização sobre o tema.

“De Mãos e Pés Atadas” foi lançada há cerca de 15 dias, na plataforma GoFundMe, com o objetivo de alertar para esta situação e, em simultâneo, criar um fundo monetário de ajuda imediata a instrutores de fitness em situações mais complicadas. Em poucos dias, centenas de profissionais pelo país fizeram a sua inscrição neste fundo que será distribuído de igual forma, finda a angariação, por todos os que o tiverem solicitado, de acordo com o montante angariado. Contudo, com um valor total de doações que pouco ultrapassa os 3.400€ a ajuda ainda é muito curta para estas pessoas.

Mais de 80% dos profissionais de fitness em Portugal são trabalhadores independentes, não se enquadrando em situações de layoff. “Estamos a falar de uma profissão que não tem muitas altenativas à distância. É claro que podem ser dados treinos online. Mas a sua procura, face a tudo o que existe disponível de forma gratuida, é muito reduzida. Além de que a predisposição e vontade das pessoas não é a mesma. Neste momento, instrutores com que o Grupo Manz trabalha há décadas, pessoas que investiram toda a sua vida profissional a tentar melhorar a saúde e bem-estar de outros, estão a ter de procurar carreiras diferentes, em muitos casos aos 40 e aos 50 anos”, continua André Manz. “Quem possa, por favor, não deixe de doar. A doação de 1 euro por 25 mil pessoas, passa a 25 mil euros, e creio que nem sempre nos lembramos disso. Estamos há mais de 30 anos no negócio do fitness e nunca vimos nada assim. Lançar esta campanha foi a nossa forma de ajudar, quando já não sabemos mais como”, conclui.