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Quarta, 16 de Dezembro de 2020

Métodos de multiplicação de sangue do cordão umbilical com resultados favoráveis e mais perto da utilização clínica

Diferentes metodologias de multiplicação das células do sangue do cordão umbilical em laboratório têm obtido resultados muito favoráveis em ensaios clínicos, estando cada vez mais perto de poderem ser aprovadas para utilização clínica.

Uma das metodologias em estudo, que se destaca pelos bons resultados obtidos nos últimos anos, utiliza a molécula nicotinamida como base da sua tecnologia de expansão, sendo o produto resultante da exposição denominado Omidubicel. Foram anunciados, este ano, resultados muito positivos sobre o desempenho de Omidubicel num ensaio clínico de fase III que incluiu 125 pessoas com doenças malignas do sangue, tratados em mais de 50 centros de transplantação. Neste estudo, observou-se que o tempo médio de recuperação hematológica após o transplante foi significativamente menor nos doentes que receberam Omidubicel, comparativamente aos que receberam sangue do cordão umbilical não expandido, associado a menos complicações e menor tempo de hospitalização. Prevê-se que o pedido de licença para disponibilização desta metodologia seja submetido à FDA, a agência reguladora do medicamento nos EUA, ainda este ano.

Outro método de expansão do sangue do cordão umbilical que tem apresentado bons resultados utiliza uma molécula designada UM171 e foi desenvolvido no Canadá. Em janeiro deste ano foram publicados na revista The Lancet Haemathology os resultados de um ensaio clínico de fase I/II, em que 22 adultos com doenças hemato-oncológicas foram transplantados com sucesso, usando sangue do cordão umbilical expandido com a molécula UM171. Neste estudo, tanto o tempo de recuperação hematológica, como as taxas de sobrevivência e de complicações pós-transplante revelaram-se muito favoráveis.

Segundo Bruna Moreira, Investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal,o maior desafio da transplantação de sangue do cordão umbilical prende-se com o número de células de algumas unidades, que poderá ser insuficiente para tratar doentes com maior peso corporal, o que habitualmente resulta num maior tempo de recuperação hematológica.

A investigadora acrescenta ainda que “nestes casos, estas metodologias de multiplicação das células do sangue do cordão umbilical permitem escolher, para cada doente, a unidade de sangue do cordão umbilical com grau de compatibilidade mais adequado, ficando ultrapassada a questão do número de células inicialmente armazenado”.

Desde o primeiro transplante, em 1988, que o sangue do cordão umbilical se tem afirmado como uma importante fonte de células estaminais para transplante hematopoiético, capaz de tratar doenças hemato-oncológicas, imunodeficiências, doenças metabólicas, entre outras.

Uma estratégia que tem vindo a ser utilizada com sucesso nos últimos 20 anos é a transplantação de duas unidades de sangue do cordão umbilical. Outra solução que tem vindo a ser investigada é a expansão – ou multiplicação – das células do sangue do cordão umbilical em laboratório antes do transplante. Esta abordagem permite obter um grande número de células estaminais para transplante, a partir de um número inicial relativamente pequeno.

Referências:

Claveau JS, et al. Single UM171-expanded cord blood transplant can cure severe idiopathic aplastic anemia in absence of suitable donors. Eur J Haematol. 2020. 105(6):808-811.
Cohen S, et al. Hematopoietic stem cell transplantation using single UM171-expanded cord blood: a single-arm, phase 1-2 safety and feasibility study.
Lancet Haematol. 2019. S2352-3026(19)30202-9.
https://investors.gamida-cell.com/news-events/press-releases/news-release-details/gamida-cell-announces-positive-topline-data-phase-3, acedido a 26 de novembro de 2020.
https://investors.gamida-cell.com/news-events/press-releases/news-release-details/gamida-cell-announces-omidubicel-secondary-endpoints, acedido a 26 de novembro de 2020.