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Quarta, 11 de Novembro de 2020

Prémios Pfizer 2020 distinguem três projetos de investigação

  • Potencial vacina contra a malária em projeto de investigação clínica;
  • Pesquisas na investigação básica sobre o papel do cérebro nas células que protegem a nossa saúde intestinal;
  • E investigação sobre a ligação evolutiva entre o sistema imunitário e o sistema nervoso central e o seu impacto na memória de curto prazo.

Foram anunciados os nomes dos investigadores premiados na 64ª edição dos Prémios Pfizer, o mais antigo galardão na área da Investigação Biomédica atribuído em Portugal, com o objetivo de contribuir para a dinamização da investigação em ciências da saúde em Portugal.

O PRÉMIO PFIZER 2020 - INVESTIGAÇÃO CLÍNICA foi atribuído ao Investigador Miguel Prudêncio, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), com um trabalho sobre uma potencial nova vacina contra a malária, denominada PbVac.

O PRÉMIO PFIZER 2020 - INVESTIGAÇÃO BÁSICA é este ano partilhado por dois investigadores. O primeiro trabalho premiado é assinado pelo Investigador Henrique Veiga-Fernandes, da Fundação Champalimaud, sobre a função das células inatas linfoides de tipo 3 (ILC3).

Nesta mesma categoria, o outro trabalho premiado é assinado pela Investigadora Julie Ribot, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), sobre as células T gamma delta produtoras de IL-17.

A cerimónia da entrega dos prémios, no valor total de 50 mil euros, terá lugar dia 11 de novembro, e conta com a presença do Presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, Luís Graça, e do Diretor-Geral da Pfizer Portugal, Paulo Teixeira.

A Cerimónia será transmitida através da página de Facebook do Expresso, a partir das 18h00.

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No evento que celebra os 64 anos dos Prémios Pfizer em Portugal, a palestra de abertura será dedicada ao tema “Inovação, Inteligência Artificial e a Saúde do Futuro” e será proferida por Arlindo Oliveira, Professor do Instituto Superior Técnico.

PRÉMIO PFIZER 2020 - INVESTIGAÇÃO CLÍNICA| An open-label phase 1/2a trial of a genetically modified rodent malaria parasite for immunization against Plasmodium falciparum malaria

O projeto distinguido na categoria de Investigação Clínica, foi atribuído à equipa de Investigadores internacionais liderada por Miguel Prudêncio, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM).

A equipa publicou recentemente na revista científica Science Translational Medicine, os resultados do ensaio clínico de Fase 1/2a de uma potencial nova vacina contra a malária, denominada PbVac, que envolveu um total de 24 voluntários saudáveis. Embora nenhum dos indivíduos vacinados ficasse totalmente protegido contra a doença, os resultados mostraram uma redução muito significativa de 95% na infeção hepática, o primeiro estágio da infeção por malária em humanos. Este estudo abre caminho para desenvolvimentos adicionais da vacina PbVac e similares, no sentido do desenvolvimento de uma estratégia de vacinação eficaz contra a malária humana.

O PbVac é o primeiro membro de uma nova classe de agentes do tipo “organismo completo” desenhados para a vacinação contra a malária que consiste na ideia de usar parasitas de roedores, que não são patogénicos para os seres humanos, como base para uma nova vacina contra a malária.

A malária é uma doença causada por parasitas Plasmodium que, apesar dos progressos registados na última década, causaram mais de 400.000 mortes só em 2018. Uma vacina eficaz é considerada uma ferramenta crucial para a prevenção e futura eliminação da malária.

No entanto, o desenvolvimento clínico de uma vacina contra a malária provou ser um enorme desafio para inúmeros grupos de investigação ao longo dos anos e em todo o mundo. Esta dificuldade resulta sobretudo da complexa biologia dos parasitas da malária, cujo ciclo de vida inclui várias etapas que ocorrem quer no mosquito, vetor da doença, quer no hospedeiro mamífero, incluindo um estágio obrigatório e assintomático de desenvolvimento no fígado humano.

O nosso trabalho fornece a validação clínica de uma nova abordagem de vacinação contra a malária, e abre possibilidades para a sua otimização no sentido da criação de uma vacina eficaz contra esta doença. Foi por isto uma enorme felicidade e uma honra ver o nosso trabalho reconhecido através de um prémio com o prestígio inigualável que o Prémio Pfizer-SCML granjeou ao longo das últimas décadas”, refere o Investigador do iMM, Miguel Prudêncio.

PRÉMIO PFIZER 2020 – INVESTIGAÇÃO BÁSICA| Light-entrained and Brain-Tuned Circadian Circuits Regulate ILC3s and Gut Homeostasis

Na categoria de Investigação Básica, um dos projetos vencedores pertence ao Investigador Henrique Veiga-Fernandes, da Fundação Champalimaud, sobre a função das células inatas linfoides de tipo 3 (ILC3).

Pessoas que fazem turnos de trabalho noturnos, ou que mudam com frequência de fuso horário, têm uma tendência acrescida para o excesso de peso e sofrem mais amiúde de inflamações intestinais. Vários esforços têm procurado desvendar a causa deste fenómeno, tentando relacionar os processos fisiológicos com a atividade do relógio biológico.

Este trabalho permitiu definir que a função das células inatas linfoides de tipo 3 (ILC3), conhecidas por contribuírem para a saúde intestinal, se encontra sob o controlo do seu próprio relógio biológico que por sua vez é regulado pelo cérebro.

Nomeadamente, as ILC3 possuem um relógio molecular, e a desregulação dessa maquinaria conduz a uma redução das ILC3 no intestino, a uma alteração do epitélio intestinal e do seu microbioma, assim como a um aumento de infeções intestinais e a um anormal metabolismo lipídico. Surpreendentemente, os investigadores observaram ainda que os ciclos noite-dia são os principais reguladores do relógio biológico das ILC3, sugerindo assim que sinais cerebrais possam controlar a atividade das ILC3. Nesse sentido, a desregulação cirúrgica ou genética da ritmicidade do cérebro conduziu a alterações das ILC3 assim como à desregulação do microbioma e do metabolismo lipídico.

Este estudo revelou a existência de um circuito circadiano que traduz os ciclos naturais noite-dia em sinais fundamentais para o funcionamento das ILC3, garantindo assim a saúde intestinal, o metabolismo e a proteção contra infeções.

Este trabalho permitiu-nos identificar que, para além do papel dos linfoides brancos no intestino no controlo da inflamação, a atividade desses glóbulos brancos dependia do nosso ritmo biológico. Esse ritmo biológico está associado a doenças tão diversas como o cancro, a obesidade ou doenças inflamatórias crónicas. Essa compreensão revela-se essencial no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas”, refere o Investigador da Fundação Champalimaud, Henrique Veiga-Fernandes.

PRÉMIO PFIZER 2020 – INVESTIGAÇÃO BÁSICA| Meningeal γδ T cell-derived IL-17 controls synaptic plasticity and short-term memory

Na categoria de Investigação Básica, o outro projeto vencedor pertence à Investigadora Julie Ribot, do iMM, sobre as células T gamma delta (γδ), produtoras de IL-17 que residem nas meninges e controlam plasticidade sináptica e memória de curto prazo.

O trabalho centra-se na interface entre o sistema imunitário e o sistema nervoso central e em particular na cognição. Neste projeto, os investigadores perguntaram de que forma o sistema imunitário pode influenciar o processo de Aprendizagem e Memória, quais são as células envolvidas neste processo, onde e como atuam. Foi identificada pela primeira vez em modelos animais uma população de células - denominadas células T gamma delta (γδ) - que produzem uma molécula inflamatória - chamada IL-17 - e que colonizam os vasos linfáticos das meninges cerebrais rapidamente após o nascimento e onde permanecem durante a vida adulta tendo um impacto na neurofisiologia basal.

Os animais que não têm esta população de células T γδ, ou a molécula IL-17, perdem a memória de curto prazo. Curiosamente, estes ratinhos retêm uma memória de longo prazo normal, sugerindo que os dois processos de memória de curto e longo prazo são regulados por diferentes componentes do sistema imunitário. Conceptualmente, este trabalho revela uma ligação evolutiva entre os sistemas imunitário e nervoso central, ao mostrar que estão em constante comunicação e que esta influencia a construção da memória de curto prazo.

Julie Ribot, a Investigadora do iMM, refere sobre a importância deste prémio: “O prémio Pfizer é muito prestigiante e obviamente um grande reconhecimento do nosso trabalho. Isso dá-nos mais visibilidade junto de outros cientistas e também junto da sociedade em geral, pois acredito que o envolvimento público com a investigação básica é fundamental. Agora, de um ponto de vista mais pessoal, posso dizer que fiquei particularmente emocionada ao saber que o nosso trabalho foi premiado. Este foi o meu primeiro projeto como investigadora principal, onde supervisionei alunos pela primeira vez, tendo estabelecido colaborações. Tem sido uma ótima experiência e agora temos uma cereja no topo do bolo. Isso é muito importante e dá-nos motivação extra e força para prosseguir com os nossos projetos, agora com o objetivo de compreender as implicações das nossas descobertas no contexto das doenças neurodegenerativas”.

Prémios Pfizer - 64 anos ao serviço da investigação biomédica

Os Prémios de Investigação Pfizer resultam de uma parceria entre a Pfizer e a Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, com o objetivo de contribuir para a dinamização da investigação em ciências da Saúde em Portugal.

Instituídos em 1956, os Prémios Pfizer distinguem os melhores trabalhos de investigação básica e clínica, elaborados total ou parcialmente em instituições portuguesas por investigadores portugueses ou estrangeiros. Ao longo destes anos, os Prémios Pfizer foram atribuídos a cerca de 700 investigadores, tendo sido premiados 214 trabalhos.

Desde o início, os Prémios Pfizer têm marcado de uma forma positiva a investigação que se faz em Portugal e afirmam-se como um incentivo aos jovens investigadores, abrindo a porta para uma carreira científica.

Pfizer – Inovação que transforma a vida dos doentes

Na Pfizer, aplicamos a ciência e os nossos recursos globais para melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas em todas as fases da vida. A cada dia, trabalhamos nos países desenvolvidos e em desenvolvimento para conseguir a prevenção e o tratamento das doenças mais temidas do nosso tempo e responder de forma mais eficaz às necessidades médicas não satisfeitas. O nosso diversificado portfólio inclui medicamentos de uso humano, biológicos, pequenas moléculas e vacinas. Colaboramos com profissionais e autoridades de saúde de forma a garantir o acesso aos nossos medicamentos, procurando assumir uma voz ativa no desenvolvimento e na prestação de cuidados de saúde de qualidade e acessíveis a todos. Na Pfizer, trabalhamos há mais de 170 anos para fazer a diferença na vida de todos os que confiam em nós. Para saber mais visite www.pfizer.pt

Sobre a SCML

Desde a data da sua fundação, no ano de 1822, que a Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa tem por finalidade contribuir para o aperfeiçoamento dos conhecimentos médicos em todos os ramos, nos seus aspetos teóricos e aplicados, de carácter individual, coletivo e social.

Para atingir os seus objetivos, a Sociedade promove, de acordo com as prioridades estabelecidas pelos seus órgãos, iniciativas que possibilitam o intercâmbio cultural e científico.

Para mais informação, pode consultar http://www.scmed.pt/